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Não faz absolutamente nenhum sentido

  Não faz sentido. Chegamos nesse mundo sem nenhuma condição de entender o que isso significa! Aos poucos somos um corpo, uma sensação, uma imagem, sons, aos poucos somos silêncios e palavras, aos poucos somos pedaços, partes, um nome, um sexo, aos poucos somos lugares. Recém chegados expulsos do paraíso, culpados por nascermos frágeis, incapazes, dependentes. Alguém está tomando as decisões por nós. Mais adiante os culparemos por isso. Acho que deve ser muito marcante para um bebê a experiência de ser olhado, de ir aprendendo a interagir com outros seres humanos, com olhares, expressões faciais, pequenos movimentos, com sons que começam a se insinuar... sentir-se vivo, um corpo, uma voz! Ter a capacidade de entender que está vivo foi revolucionário para a espécie. Acho que é o nosso grande momento como humanos: entender algo. É só aos poucos que vamos abrindo os olhos, aos poucos vamos sustentando abri-los por mais tempo, vamos enxergando melhor, é aos poucos que vamos nos fami...

A tartaruga e o passarinho

Esse inverno foi triste sem você...as noites ficam mais frias quando você não esta por perto, os meus olhos ficam te procurando, em vão. Sua voz vai ficando longe...longe... e já não consigo mais sentir o seu perfume. Fecho os olhos e te encontro nas minhas lembranças...porque fizemos isso com a gente?! Talvez eu devesse ter dito que não! Porque eu não queria você longe de novo. Nunca quis! Mas, como prender um passarinho livre que só quer voar?! Sabe, da pra ver nos teus olhos o quanto isso faz você feliz...voar! E você voa. Nunca saberá viver sem poder sentir o vento nos cabelos e a adrenalina das suas aventuras... O amor não escolhe onde nasce... E eu te amo! Uma tartaruga que ama um passarinho...   Eu te escolhi!  Mas, doeu tanto não te enxergar por perto que fui me acostumando com suas ausências... Com apenas a sua voz no final de um dia bom, de um dia cansativo, feliz ou triste...  Eu sempre estava bem, mesmo não estando. Não queria turvar também os teus ...

50/50

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Fifty-Fifty. É a regra do jogo. Não dá pra ser mais sem ser sozinho. A união, por essência divide. Um inteiro, dividido por dois. E cá estamos nós: metade-metade. Aquele bilhete que encontrei na sua jaqueta. Aquelas 5 palavras, que não eram minhas, eu sei, me lembrou dessa metade. "Adorei o nosso almoço. Me liga!". Metade. A mesma que me faz ser uma parte do que deveríamos ser. Deveríamos? Jaqueta jeans, tom escuro, com o bolso interno do lado esquerdo. Comprei ela pra você. Natal de 1999. Lembro do seu sorriso, de você pulando no meu cangote pra agradecer "aquela" jaqueta. Minha vontade hoje pela manhã era picá-la e deixar os pedaços na mesa, junto com o café quente que você adora e um bilhete, esse meu, "Querida, te comprei um novo quebra-cabeças". No fundo sempre tive medo. Medo de você descumprir o trato, de você provar o que todos os outros já provaram: o pra sempre, acaba. 17 de Maio. O dia estava ensolarado, o sol prestes a se pôr...se esconder ...